Maria Rodrigues: “Há histórias que não se explicam apenas com palavras…”

14 Junho 2026

Há histórias que não se explicam apenas com palavras. Vivem-se, sentem-se e carregam-se connosco para sempre.

O Santa Luzia Futebol Clube foi a minha primeira casa no futsal. Foi aqui que comecei, que cresci, que aprendi, que caí e me levantei tantas vezes. E por isso este clube terá sempre um lugar muito especial no meu coração. Mais ainda por saber que esta ligação vem de trás, da família, da história, das raízes. Um dos fundadores deste clube foi o meu avô, e vestir esta camisola foi, durante todos estes anos, muito mais do que representar uma equipa: foi também honrar uma história que é minha.

Foram muitos anos de Santa Luzia. Anos de entrega, de compromisso, de trabalho e de amor à modalidade. Fui campeã, ajudei a subir esta equipa à primeira divisão, onde se manteve sempre e onde ainda hoje continua. E isso é algo que guardarei com muito orgulho.

Pelo meio, saí durante três anos. Saí porque precisava de crescer, de sair da minha zona de conforto, de me desafiar noutro contexto. No FC Vermoim fui muito feliz, fui campeã nacional e guardo um carinho enorme por essa equipa, que, com muita pena minha, deixou de existir. Mas a vida trouxe-me de volta à casa que me viu nascer para o futsal. Voltei mais madura, mais confiante e com vontade de continuar a elevar o nome do Santa Luzia.

E assim foi. Com trabalho, com responsabilidade, com ambição e com muito orgulho nesta camisola. Estivemos sempre nos lugares cimeiros, vivemos final fours, grandes jogos, grandes momentos e chegámos também ao estatuto de vice-campeãs nacionais. Foram anos intensos, exigentes, bonitos e cheios de significado.

Nunca fui, nem quis ser lembrada apenas pelas minhas características técnicas ou táticas. Aquilo que sempre levei comigo para todos os treinos e jogos foi o compromisso, a responsabilidade, a capacidade de trabalho e a vontade de dar o meu melhor. E isso posso dizer de coração tranquilo: dei sempre tudo o que tinha.

Agradeço ao Santa Luzia FC, a todas as colegas, treinadores, equipas técnicas, dirigentes, staff e adeptos que fizeram parte deste caminho. Obrigada por cada palavra, cada aplauso, cada exigência, cada momento partilhado. O futsal deu-me muito, mas também me exigiu muito. E foi precisamente aí que cresci.

À minha família, um obrigada que nunca será suficiente. Foram vocês que estiveram sempre lá. Que riram comigo nas vitórias, que choraram comigo nas derrotas, que sentiram as minhas alegrias e também as minhas frustrações. Porque quem vive isto sabe que ser atleta não é só feito de momentos bons. Há cansaço, há dúvidas, há injustiças, há dias difíceis. Mas há também amor, superação, aprendizagem e crescimento. O desporto prepara-nos para a vida. Ensina-nos a lidar com emoções, imprevistos, conquistas e perdas. E eu levo tudo isso comigo.

Agora, resta-me desejar o melhor ao Santa Luzia Futebol Clube. Que continue a crescer, a competir, a formar pessoas e atletas, e a dignificar o futsal feminino como sempre fez.

Levo comigo memórias, conquistas, pessoas e uma gratidão enorme.

Obrigada, Santa Luzia.
Obrigada, futsal.
Obrigada a todos os que fizeram parte desta caminhada.

Maria Rodrigues

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